Tudo começa no dia anterior.
Jantar leve. Macarrão com carne moída. Padrão. Nada pesado.
Foquei em me ocupar com várias tarefas para chegar no fim do dia suficientemente cansado para poder dormir bem.
Mas quem disse que a ansiedade deixa?
Já em minha cama, me questiono: será que dá ?
Consigo fechar os olhos mas logo já são 4h da manhã de um domingo nublado. Pelo menos acho que está nublado. O dia ainda não clareou.
Quem acorda tão cedo num domingo para ir ao outro lado da cidade apenas para…correr?
Lá vamos nós então. Super coffee na “lata” e muita concentração.
Chegando próximo ao local da largada, um trânsito imenso. A hora da largada se aproxima. Notamos que não vai dar tempo de chegar ao local de carro. Qual a ideia lógica ? “Amor, vou descer aqui e te encontro na linha de chegada”. Já vou aquecendo.
Pulo a mureta para passar para a calçada, erro o cálculo e caio de bunda no chão.
Quase perco o celular mas volto para pegar do outro lado da mureta. Tento ignorar o fato de que tinham centenas de carros que provavelmente se deleitaram com a minha queda. Pulo de volta. Dessa vez com mais estilo. E sigo para a largada. Sinto vontade de ir ao banheiro. É claro que tem fila para entrar no banheiro. Já começa a batalha mental. Agora tenho que aguentar até o fim. A largada já foi dada. Tinha tanta gente, que só começo oficialmente, 5 minutos depois do apito inicial.
Finamente começo a correr num ritmo bom, focando em desviar do maior número de pessoas possível.
1,2, 3km. Até agora, tudo ok. Várias subidas e descidas. Cautela na subida e aproveito o “momento” nas decidas. 4,5,6,7km. continuo indo bem até que…8k, outra subida. Dessa vez tá bem longa. Do nada ouço um cara gritando bem no pé do meu ouvido “bora monstro, não quebra não”!
Não sei se entendi direito mas de fato, acho que não quebrei mesmo. Consegui manter o ritmo. Comecei a ficar com sede mas coloquei uma meta que veio da minha cabeça apenas : só vou beber água depois de passar dos 10k. E foi no 11km que bebi. E já emendei com o gel. Vi pessoas parando para ir no “banheiro”, que era basicamente um terreno baldio. Vi pessoas de fato indo ao banheiro no posto de gasolina mais próximo. 12,13,14km.
Muita gente gritando e incentivando os outros. Bonito de se ver. Entre e sai de túnel, gelzinho de carboidrato na mão. Não é que funciona mesmo?
Você acha que tá abafando e olha por lado os quenianos já terminando a prova. 15,16km, agora o negócio começa a pegar. Mas você pensa: “bixo, agora só faltam 5km, vai parar ?
Lógico que não!
17,18,19…aqui eu juro, quase parei. Era uma subida que terminava numa reta. Não tinha “momento” para aproveitar a descida. Alguém gritou “vai que é a última subida!”
Mentiroso de uma figa !
Mas nada mais importava. Já enxergava a chegada!
Lá estava ela, minha esposa Évelyn, torcendo, gritando…me deu a mão…
Cruzei a linha de chegada.
Mantive o ritmo, a cabeça leve. Durante as 1h e 50min, já tinha tido tempo de pensar em muita coisa. Coisas que já tinha feito, coisas que ainda faltam fazer. Tanto a realizar. Mas pelo menos essa conquista, estava próxima do fim.
No fim, é mais ou menos isso: não é uma corrida de 100m. É uma maratona (nesse caso específico, uma meia ☺️).
Uma metáfora.
Uma vida.


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