Sempre gostei muito de ler. Desde pequeno. Reza uma lenda na minha família, que na mais tenra idade, eu entrei na escola já sabendo ler.
Em adição, descobri mais tarde que gostava também de escrever. Tirava boas notas em todas as redações.
Certa vez, no ensino médio, cheguei na sala atrasado e sabia apenas que tínhamos que fazer uma redação. Não sabia o tema (e sim, havia um tema). Acabei escrevendo três folhas de uma história maluca que saiu da minha cabeça e saí da sala sem muitas esperanças.
Na aula subsequente, minha professora me chamou para conversar e pediu para eu explicar o porquê não segui o tema. Disse que cheguei atrasado e não entendi direito qual sobre o que deveríamos falar.
De qualquer forma, ela me deu um 10 porque tinha adorado a estória!
Um fato curioso aqui é que eu não era excepcional nas outras matérias. Poderia me considerar um aluno mediano e em algumas matérias muito específicas, até um pouco abaixo da média.
Mas o que me tornava esse “ás” na escrita?
A resposta mais óbvia é o hábito da leitura. Mesmo quando bem mais novo, eu sempre buscava livros que me desafiavam um pouco mais. Fazia isso por curiosidade mesmo. Interesse genuíno de ler histórias e entender a cabeça dos autores.
Mas não é somente na matéria específica de português que a leitura ajuda. Pense nos “probleminhas” de matemática que resolvíamos quando crianças. Metade deles era interpretação. Trazendo para o mundo corporativo, a leitura com certeza te ajuda a organizar os pensamentos de maneira estruturada e na comunicação de uma forma geral.
As escolas deveriam tratar a leitura com mais seriedade e ao mesmo tempo, estimular com títulos interessantes, boas histórias e incentivar que isso se torne um hábito.
A leitura muda vidas.
Credito muitas coisas que conquistei na vida à este hábito. Mesmo quando eu não podia viajar por questões financeiras, eu podia viajar pelas páginas juntamente com vários personagens contidos nas histórias.
Eu podia (e ainda posso) conhecer pessoas incríveis, estudar histórias de pessoas que enfrentaram muitas coisas na vida e superaram dentre outras muitas coisas.
Recentemente li um dado que me deixou muito preocupado: 84% da população adulta do Brasil não comprou um livro sequer em 2023.
Uma nação que não lê, acaba deixando muita coisa na mesa.
Outro ponto que preocupa é o fato de substituirmos esse hábito por simplesmente, passar horas e horas nas redes sociais.
Eu experimentei isso. Meu tempo de leitura diminuiu significantemente nos últimos anos. Houve um período inclusive, onde eu simplesmente não estava lendo nenhum livro.
E o pior, quando tentei retomar o hábito, notei que demorei para entrar no ritmo novamente. Ou me distraía rapidamente ou ainda, ficava um pouco entediado com maior rapidez.
Sinto que isso é um sintoma geral e que se continuarmos dessa forma, a tendência é de piora.
Cada vez mais as mídias sociais captam nossa atenção com vídeos cada vez mais rápidos, cada vez mais sensacionalistas e cada vez mais com conteúdos “de menos”.
Nossa motivação de pegar um livro e ler até o fim, está diminuindo. E isso migra para outras áreas, como por exemplo o cinema ou até serviços de streaming.
Sejam sinceros, quantos de vocês ainda entram no cinema para assistir um filme de duas horas? Ou ainda, porque será que cada vez mais os streamings lançam séries com episódios mais curtos ? E ainda, as séries estão com cada vez diálogos mais curtos e que geram mais tensão para que você fique com vontade de assistir outro e outro…
Estamos mais ansiosos, acelerados e com cada vez menos vontade de simplesmente sentar, pegar uma xícara de café e passar pelo menos, uns 15 minutos passando suavemente pelas páginas de um bom livro.
Se eu pudesse dar um conselho sobre uma ótima resolução de um ano novo seria essa: leia livros. Pode ser em algum dispositivo, no celular ou ainda da forma antiga: o bom e velho impresso (que eu prefiro, embora eu sei que fica cada vez mais difícil de armazenar em casa).
Comece por qualquer tema que você se interesse. Pode ser um pequeno, de leitura fácil e fluída, não importa. Apenas faça. Sua saúde mental agradecerá.
Grande abraço!

Deixe um comentário